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maio 13 2013

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“Cadáveres de militantes eram expostos no DOI-Codi como troféu de vitória”, diz ex-sargento

Ex-agente da ditadura, Marival Chagas Dias do Canto (Foto: Priscilla Mendes/ G1)

Ex-agente da ditadura, Marival Chagas Dias do
Canto (Foto: Priscilla Mendes/ G1)

O ex-sargento Marival Chaves, que trabalhou no Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna em São Paulo (DOI-Codi/SP), presta depoimento à Comissão da Verdade, em Brasília. Ele afirmou que “cadáveres de militantes eram expostos no DOI-Codi como troféu de vitória” Wilson Dias/Agência Brasil

Corpos de militantes torturados eram expostos ao público interno do DOI-Codi, o maior órgão de repressão aos grupos de esquerda contrários à ditadura militar (1964-85), como “troféu de vitória”, afirmou o ex-sargento Marival Chaves nesta sexta-feira (10) em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, em Brasília.

“Vi em duas ocasiões. O casal Antonio Carlos Bicalho Lana e Sônia foi trazido ao DOI para visitação do órgão. Vi o casal morto, com perfurações a bala na cabeça, nos ouvidos”, disse Chaves, acrescentando que supunha que isso ocorria por se tratarem de pessoas consideradas “importantes no contexto das organizações”.

Ele também citou o caso de outro militante, chamado Yoshitane Fujimori, que chegou com ferimentos a bala e ainda estava vivo.

Chaves já falou duas vezes à comissão, que apura crimes cometidos no período da ditadura militar.

O depoimento foi colhido por Cláudio Fonteles, ex-procurador-geral da República, e José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, que integram a comissão.

Também foi convocado para depor Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado e ex-comandante do DOI-Codi-SP no período entre 1970 e 1974.
O que é a comissão?

A Comissão Nacional da Verdade é um grupo formado por sete integrantes que irá “examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos” praticadas entre 1946 e 1988 e redigir um relatório oficial, em um período de dois anos.

Entre os objetivos estabelecidos na lei que cria a comissão está o de “identificar e tornar públicos as estruturas, os locais, as instituições e as circunstâncias relacionados à prática de violações de direitos humanos (…) e suas eventuais ramificações nos diversos aparelhos estatais e na sociedade”.

Apesar de ter conseguido na Justiça um habeas corpus que lhe dava o direito de ficar calado na audiência, Ustra deu um depoimento em clima tenso, em que afirmou que a presidente Dilma Rousseff pertenceu a quatro “organizações terroristas”. Disse ainda que, se não fossem os militares, o Brasil estaria sob uma “ditadura do proletariado”.

“Nós estávamos contra o comunismo para não se transformar o Brasil num enorme Cubão. Se não fosse isso, hoje não existiria democracia no país e estaríamos vivendo um regime comunista de Fidel Castro [ex-presidente de Cuba], uma ditadura do proletariado”, disse. “Estamos aqui porque nós preservamos a democracia, senão, eu já não estaria mais aqui, teria sido morto no paredão.”

Ustra nega ter participado de sessões de tortura. No entanto, a segunda pessoa a ser ouvida hoje pela comissão, o vereador Gilberto Natalini (PV-SP), contou ter apanhado de Ustra “pessoalmente”.

“Um dia ele me pegou, me despiu, colocou em pé numa poça d’água, ligou o fio no corpo, chamou uma turma de torturadores para eu fazer uma sessão de declamação de poesia”, afirmou.

Segundo ele, a sessão de tortura durou “horas” e Ustra usou “uma vara, espécie de um cipó” para bater nele, enquanto outros aplicavam mais golpes.


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