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jul. 08 2013

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Simpatizante do regime militar e ativistas ‘disputam’ praça no RS

Ativistas dos direitos humanos e simpatizantes do regime militar travam uma disputa no terreno onde funcionava uma unidade do Exército em Porto Alegre. A ONG Movimento de Justiça e Direitos Humanos, com o apoio da prefeitura da capital gaúcha, vai instalar nas próximas semanas no local, na região central da cidade, uma placa informando que ali existiu um quartel onde foram praticadas torturas e prisões ilegais.

Placa será instalada na região central da Porto Alegre,informando que ali existiu um quartel onde foram praticadas torturas.

Placa será instalada na região central da Porto Alegre,informando que ali existiu um quartel onde foram praticadas torturas.

A iniciativa faz parte do projeto “Marcas da Memória”, que prevê a indicação pública de lugares usados pela ditadura para cometer crimes.

Curiosamente, na semana passada o vereador João Carlos Nedel (PP), conhecido por defender o regime militar, inaugurou em solenidade um novo nome para o trecho de rua que passa em frente ao local: General Zenóbio da Costa, em homenagem ao fundador da polícia do Exército, morto em 1962.

Nedel foi o autor de um projeto instituindo o nome. A inauguração contou ainda com a presença de militares da reserva e da ativa.

O prédio onde funcionava o quartel já não existe mais. Na placa que conta o histórico do local, os ativistas pretendem informar que ali Carlos Lamarca, um dos mais famosos opositores do regime, permitiu a fuga de um oficial que havia sido detido.

No ano passado, manifestantes que pedem a punição de crimes da ditadura fizeram um protesto na praça e colaram adesivos com referências às torturas ocorridas no quartel.

O ativista Jair Krischke, do Movimento de Justiça, diz que a iniciativa do vereador de batizar a via em frente é uma “reação” ao plano de sinalizar locais usados pela repressão na cidade.

Também critica a homenagem a um militar em um lugar que ficou conhecido por crimes do regime.

Procurado pela reportagem, Nedel, 71, diz que desconhece o “Marcas da Memória” e que nem sabia da inauguração do monumento pela ONG. “Aquela rua não tinha nome e foi uma forma de homenagear o Exército. Os militares ficaram muito satisfeitos”, diz.

Para ele, o país “perde tempo” com investigações sobre aquele período. Em 2011, Nedel ajudou a barrar iniciativa de vereadores do PSOL que propunha tirar de uma grande avenida de Porto Alegre o nome do primeiro presidente do regime, Castello Branco.

Fonte – Correio do Estado


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