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ago. 08 2014

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“Estávamos sendo presos por lutar pelos nossos direitos“, diz dirigente da CUT

A Comissão Estadual da Verdade do Paraná – Teresa Urban,  esteve em Londrina nos dias 6 e 7, em em busca de documentos e depoimentos que possam elucidar as agressões aos direitos humanos durante o período da ditadura cearacutmilitar. Foi realizada uma audiência pública, com a presença de representantes da sociedade civil. Um dos destaques foi o depoimento de Geraldo Fausto Santos, o Ceará, dirigente sindical dos Bancários de Londrina e que atualmente compõe a direção da FETEC-CUT-PR. Ele revelou detalhes das dificuldades enfrentadas pelos sindicalistas durante o regime de exceção no Brasil.

“Estávamos sendo presos por lutar pelos nossos direitos”, afirmou Ceará em uma dos principais trechos do seu depoimento. Ele recordava de uma série de demissões que ocorriam em todo o País em 1986. “Estávamos sofrendo um massacre. O confronto foi muito forte, com muitas prisões”, acrescentou.

De acordo com ele, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, o movimento não se intimidou. “ Enfrentamos tudo isso sem recuar, nunca houve recuo do sindicato. Nós negociávamos, lutávamos para fazer a coisa de forma pacífica, mas no final erámos detidos para averiguação e depoimentos. Tinha uma tortura psicológica enorme o processo de detenção”, relatou Ceará.

O dirigente também falou sobre a prisão de uma funcionária do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região, do processo de reconstrução da entidade, das eleições e da filiação à CUT. Após a eleição do grupo oposicionista em 1985, do qual Ceará fazia parte, o controle do sindicato foi retirado de grupos ligados ao patronato.

Esta situação gerou um grande desconforto e ouve, inclusive, a tentativa de impedir a posse da nova direção. “Eles alegavam que erámos um grupo de terroristas e subversivos e por isso era necessário que não tomássemos posse. Mas um grupo liderado pelo Joaquim Borges foi até Curitiba e entregou um relatório para o General Adalberto Massa”, relembra.

Outro ponto de destaque, foi a primeira greve realizada pelo sindicato já sob a gestão do grupo que levaria o sindicato para o campo CUTista. “ Foi uma das primeiras greves. Ninguém tinha histórico no sindicato de greve. Fizemos uma greve em 15 de agosto de 85 só no Banestado, com muita pressão e acompanhamento da polícia. Este momento serviu de foco para a greve geral dos bancários que viria em setembro. Era uma coisa nova, o bicho de sete cabeças aqui em Londrina. Fizemos a melhor greve de todos os tempos, nos dias 11,12 e 13 de setembro de 85. Tivemos grandes conquistas e de lá para cá tivemos greves todos os anos”, recorda.

Com o sucesso das ações sindicais, o grupo passou a ser monitorado pela polícia, revelou Ceará. “Fomos monitorados até em bares. Um Policial Federal se alojou em um bar para saber o que estávamos discutindo e conversando. No final de três ou quatro meses ele falou que não tinha visto nada que desabonasse nossa conduta e até brincou conosco que não ia mais fazer isso porque não tinha motivo”, comentou.

Mais depoimentos – Além de Ceará, outras oitivas foram realizadas durante a audiência pública em Londrina. “Foram ouvidas noves pessoas que deram seus depoimentos de resgate histórico da violação aos Direitos Humanos, ocorrida na região de Londrina no período de 1946 a 1988. Estamos reunindo os depoimentos e documentação para o relatório final, que deverá ficar pronto até a primeira quinzena de setembro”, explica o membro da comissão e vice-presidente da CUT Paraná, Márcio Kieller.

Entre os ouvidos durante esta quinta-feira estavam Elza Correia (ex-militante do PCB/PCBR, vereadora e filha do líder comunista Manoel Jacinto Correia), os advogados de presos políticos, Oscar Nascimento, Julio Higashi e Mario Seki, os dirigentes do PCB Amadeu Felipe e Geraldo Fausto Santos. Além deles, os bancários Ceará, Marilia Polis e Roberto Morita.
Fonte- CUT/Paraná


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