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set. 04 2014

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“Operação Condor foi uma bomba na Améria Latina”, diz Martin Almada

O advogado paraguaio Martin Almada foi um dos palestrantes da audiência pública sobre a Operação Condor, que aconteceu, em Curitiba, nos dia 1º e 2 de setembro, e que aprofundou as investigações sobre o acordo multilateral e sigiloso entre os

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Martin Almada detalha os quinze anos de investigação sobre a Operação Condor.

vários regimes militares da América do Sul — Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai com a CIA dos Estados Unidos.

Almada deu detalhes dos quinze anos em que ficou debruçado sobre os arquivos militares, encontrados em 1992, durante a busca de provas de sua detenção e tortura ilegais na cidade de Lambaré, Paraguai. Para ele a Operação Condor foi uma bomba que detonou a classe pensante da América Latina, onde foram mortos e perseguidos professores, estudantes, advogados, jornalistas, médicos, defensores da Teologia da Libertação, artistas, intelectuais … “Encontramos um documento militar paraguaio de 1997, no qual um oficial do Exército paraguaio diz a um coronel equatoriano que estava remetendo a lista dos subversivos paraguaios como contribuição do Exército do país para a elaboração de uma lista dos subversivos da América Latina. Isso mostra que tais militares continuaram agindo à sombra décadas depois do fim das ditaduras”, revelou Almada. Ao dar o seu testemunho da história, Martin Almada, prêmio Nobel Alternativo da Paz, entregou à Dra. Ivete Caribé da Rocha, Coordenadora do GT Operação Condor importante conjunto de documentos que aprofundam qualitativamente o acervo de investigação do GT.

Durante a audiência realizada pelo Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça, Comissão Estadual da Verdade- Teresa Urban (Grupo de Trabalho Operação Condor), a Comissão Nacional da Verdade e a UFPR, a conselheira da Comissão de Anistia Carol Proner entregou oficialmente uma pesquisa produzida  especialmente para as Comissões da Verdade do Paraná. São dois Relatórios Qualitativos *, um para a CEV-PR e outro para a CV-UFPR.

Na terça-feira, Jair Krischke, fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), com forte atuação na denúncia de violações de direitos humanos na área do Cone Sul, deu detalhes do calvário do preso político Remigio Giménez nas mãos da repressão política do Paraguai.  Preso em 1978, quando a Polícia Federal brasileira sequestrou Giménez em Foz do Iguaçu e o entregou ao sanguinário departamento de investigação da policia paraguaia, na cidade fronteiriça de Puerto Stroessner. Barbaramente torturado, realizou greve de fome para chamar atenção das autoridades. Foi solto somente em 1989, graças à atuação de Krischke.  Krischke entregou ao Grupo de Trabalho um arquivo em áudio com a gravação de uma entrevista e foto que ele fez com Remigio na prisão (correndo grande risco pois não era permitido entrar com gravador e câmera fotográfica nos presídios) e na qual este revela as circunstância de sua prisão e o envolvimento de militares brasileiros no monitoramento e captura. Jair revela também como foi realizado transporte do material gravado para o Brasil e o cerco feito pelos militares no aeroporto paraguaio no retorno ao Brasil.  Centenas de perseguidos nos regimes militares do Cone Sul escaparam da morte e ganharam  a sobrevivência no exílio graças à atuação de Krischke e do MIDH.

Ana Juanche, uruguaia, consultora do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e membro da Instituição Nacional dos Direitos Humanos e Defensora do Povo do Uruguai deu detalhes da repressão instalada em seu país. Ana falou da luta do povo Uruguaio por justiça e sobre a lei de anistia de seu país. Diferentemente do Brasil, vários militares uruguaios vem sendo levados aos tribunais e condenados, ainda que sob acusação de crimes comuns.

A norte americana  Jana Silverman da  Diretora de Projetos no Brasil da AFL-Cio /Solidarity Center, comparou a Operação Condor  à operação dos Estados Unidos  no Iraque com centro de tortura na prisão de Abu Ghraib.¸ conhecida como lugar de torturas contra prisioneiros iraquianos. “ As duas operações têm o mesmo modus operandi, centros de tortura  e acordo entre vários países.”, relatou.

A disposição em contribuir intensa e qualitativamente  com as investigações, manifestada por todos os palestrantes, reconhecidos nacional e internacionalmente, é um marco relevante para o Grupo de Trabalho vez que os palestrantes são testemunhos vivos da história que acumularam grande acervo de documentos e informações sobre a Operação Condor, fruto de minuciosa e dedicada pesquisa mantida por eles por décadas de lutas em favor do resgate da verdade, da memória e da justiça.

Cone Sul

Durante a audiência, o coordenador do Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça Norton Nohama apresentou a proposta  da Rede Brasil- Memória, Verdade, Justiça em criar a Comissão da Verdade do Cone Sul. A ideia foi debatida no encontro da Rede Brasil em Vila Velha-Espírito Santo, em maio passado. .A Comissão teria o objetivo específico de manter as investigações das violações de direitos humanos cometidas pelos regimes repressores do Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

 

 

Fonte- Fórum Verdade


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