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jul. 20 2015

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Fragmentos da ditadura: “A Operação Radar (1973-1976): a dizimação de lideranças do PCB”

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“132. Segundo o ex-agente do DOI do II Exército, a organização tinha em curso uma operação chamada Radar, que objetivava localizar e desarticular a infraestrutura do jornal Voz Operária em todo o território nacional. A operação, que estava parada, foi retomada no final de 1973 pelo DOI de São Paulo, em colaboração com outros DOIs e com o CIE, desencadeando prisões e perseguições por todo o Brasil, em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Nestes últimos estados, as operações foram batizadas de Marumbi e Barriga Verde, como aconteceu também em outras regiões do país. Dessa vez, o DOI-CODI
do II Exército visava também a eliminação de alguns dirigentes do PCB. Falava-se que “muitos deles já haviam sido presos – alguns mais de uma vez – e, mesmo assim, se revelaram insensíveis às punições aplicadas”.  Documento confidencial do CISA, agência Rio de Janeiro, de 1975, mostra a colaboração entre os centros de informação e a abrangência nacional da investida da repressão contra o PCB: “Remetemos, para conhecimento, cópia xerox do relatório do inquérito policial, realizado pelo DOPS/SP, que apurou atividades do Partido Comunista Brasileiro, indiciando 105 militantes”. p.643

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“131. Dessa vez, a investida sobre o PCB foi sistemática e direcionada. Documento confidencial da 2ª Seção do II Exército, de março de 1975, com o assunto “Neutralização do PCB”, lista o nome de oito dirigentes cujas prisões seriam de grande impacto para a atuação do partido:

  • Giocondo Gerbasi Alves Dias (…).
  • Hércules Correia dos Reis (…).
  • Orlando da Silva Rosa Bonfim Junior (…).
  • Jaime Amorim de Miranda (…).
  • Aristeu Nogueira Campos (…).
  • Renato de Oliveira Mota (…).
  • Elson Costa (…).
  • Hiram de Lima Pereira (…).

 

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Carlos Marighella

 

Clara Charf

Clara Charf

 

“Além de parte do Comitê Central, também foram alvos da repressão as gráficas do jornal do partido, Voz Operária.” p.642

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“133. … Clandestina, a solução dada pelos executores da Operação Radar foi o desaparecimento forçado dos corpos, após sessões de torturas e execuções sumárias. A operação foi comandada pelo chefe do DOI do II Exército, o tenente-coronel Audir dos Santos Maciel, em colaboração com oficiais do CIE, como os majores Paulo Malhães e José Brant Teixeira. Como se fazia no combate a grupos armados, formou-se um grupo secreto do qual participavam delegados do DOPS, como José Francisco Setta e Alcides Singillo. Foram usadas chácaras clandestinas para facilitar o desaparecimento forçado dos corpos.” p. 643

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“144… Marival Chaves afirma que, depois da invasão da gráfica do jornal Voz Operária, Montenegro recebeu do partido 60 mil dólares para recuperar uma estrutura de impressão para o jornal. Uma equipe do DOI-CODI prendeu Montenegro, matou-o com a injeção de matar cavalos e depois foi à sua casa pegar os dólares. O dinheiro foi rateado pela cúpula do DOI-CODI.” p.646

 


 

 

“155. Com a reabertura do Congresso Nacional, o líder da oposição na Câmara, deputado Alencar Furtado, do Paraná, da ala dos Autênticos do MDB, fez um contundente discurso contra a ditadura, em 27 de junho de 1977, fazendo referência direta aos desaparecidos políticos:

 

É insuportável, mais de uma década de arbítrio.

O governo, fugindo da democracia, procura perpetuar-se no poder […]

O terror tornou-se árbitro do sistema. […]

O que queremos?

A inviolabilidade dos direitos da pessoa humana,

para que não haja lares em pranto, filhos órfãos de pais vivos, quem sabe mortos, talvez;

órfãos do talvez ou do quem sabe.

Para que não haja esposas que enviúvem com maridos vivos, quem sabe mortos, talvez;

viúvas do talvez ou do quem sabe.

 

Geisel teve que acionar o Ato Institucional nº 5 (AI-5), de 1968, para cassar o mandato de Alencar Furtado e suspender por dez anos seus direitos políticos.

A cassação, naquela época, era uma medalha de honra no peito da gente!”, disse Furtado, ao se referir ao episódio.” p.648

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Trechos extraídos do Volume I do Relatório Final da CNV, página 642, 643, 646 e 648.


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