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out. 02 2013

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Motorista diz ter recusado dinheiro em troca de assumir culpa na morte de JK

O motorista de ônibus Josias Nunes de Oliveira, de 69 anos, disse ter negado uma mala de dinheiro para assumir a culpa no acidente que provocou a morte do ex-presidente da República Juscelino Kubitschek, em agosto de 1976, durante a ditadura militar.

Ele depôs na terça-feira (1º) à Cjosiasmotoristajkomissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo sobre o caso. Acusado na época pelo acidente e depois absolvido pela Justiça, ele chorou várias vezes e diz que vai pedir indenização pelas injustiças que sofreu.

O político morreu em um acidente de carro na Via Dutra, no Rio de Janeiro. O motorista de JK, Geraldo Ribeiro, também morreu na colisão. O governo de Minas Gerais informou no mês passado que vai realizar uma nova perícia para tentar esclarecer as circunstâncias da morte.

O depoimento de Oliveira durou cerca de duas horas. “Faz 37 anos do acidente e não me esqueci, o dia e a hora, certinho. Mas um dia eles vão ter de me indenizar. Se eu não herdar a indenização, meus netos vão herdar. Mexeram com um negócio errado. Eu trabalhava com amor e carinho no serviço e fizeram o que fizeram comigo”, disse.

Oliveira afirma que o acidente precisa ser melhor investigado para tirar a culpa que ainda recai sobre ele, injustamente. “A minha vida caiu bastante. Moro em um asilo. O mundo inteiro chegou a apontar o dedo para mim na rua e dizia: ‘foi ele que matou o Juscelino.’ Mas esse gosto eu tenho de provar para o mundo inteirinho que não fui eu, que eu parei por ser humano. Se sofrerem um acidente na minha frente eu paro e vou socorrer de novo”, afirmou.

Ele contou que, logo após o acidente, foi procurado em sua casa em São Paulo por dois homens de cabelo compridos em motocicletas de luxo que se identificaram como repórteres e que ofereceram a ele uma mala de dinheiro caso aceitasse admitir a culpa pelo acidente. “Não era pouquinho dinheiro não. Era uma mala de mais ou menos um metro quadrado com dinheiro à vontade. Disseram: ‘se você falar que você é culpado, o dinheiro é seu.’ Falei, não muito obrigado. Não peguei e não pego”, afirmou.

O ex-motorista da Viação Cometa repetiu detalhes o acidente. De acordo com ele, o Opala dirigido pelo motorista do ex-presidente saiu do hotel Villa-Forte, cruzou a Via Dutra à sua frente e pegou a Via Dutra no sentido Rio de Janeiro. O ônibus seguia a 80 km/h e o carro ficou à direita, a cerca de 70 km/h. Cerca de quatro quilômetros à frente, o carro ultrapassou o ônibus pela direita, cruzou o canteiro central, invadiu a pista contrária e bateu de frente com o caminhão que seguia no sentido São Paulo.

“Eu parei sem saber quem estava no Opala, mas não deu socorro mais. O motorista morreu instantaneamente e o Juscelino, eu ainda vi o último piscar de olhos dele. Não o reconheci.  Mas no acidente abriu uma pasta 007 com documentos. Estava a carteria de motorista dele e a identidade. E um livro por nome ‘As musas se levantam’, (onde estava) escrito ‘Ao insígne brasileiro, ex-presidente do Brasil, leia as páginas 33 e 34 que refluem sobre a sua vida’.”

Dúvidas
O presidente da Comissão da Verdade da Câmara de São Paulo, Gilberto Natalini (PV) disse que vai pedir a exumação do crânio do motorista de Juscelino, Geraldo Ribeiro. “Existe uma dúvida de medicina legal. O crânio periciado em 1996 apresentou um orifício lateral e apresentou dentro um fragmento de metal que foi dado pela perícia oficial como prego do caixão. Um perito de Minas Gerais declarou publicamente que ele tinha suspeita muito grande de que aquele fragmento de metal poderia ser de um projétil de arma de fogo. O que queremos é uma nova confrontação, do pedaço de metal e do crânio, porque hoje há mais recursos”, afirmou.

Fonte- Globo


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